Crematório em Jundiaí ‘eterniza’ animais

Quem tem bichinho de estimação sabe: eles viram membros da família. Companheiros, por vezes passam anos ao nosso lado. Mas o que fazer quando eles se vão? Mário Takeuti, dono do cachorro Toty, gostaria de cremá-lo, mas ele faleceu antes e deixou o cão com sua filha.

Na última semana Toty se foi e a vontade de Mário foi atendida. Ele foi cremado no Pet Crematório Jundiaí, o único espaço da cidade que realiza esse tipo de atendimento.

Agora, as cinzas do pequeno Toty serão divididas em espaços que, de certa forma, o ‘eternizarão’: “Uma parte dele vai ficar em um vaso de orquídeas, que será depositado ao lado de onde meu pai foi enterrado”, diz Erika Taukeuti, filha de Mário. O restante das cinzas serão colocados na árvore da felicidade de Erika e também no jardim de sua irmã.

“O cachorro tem o dom de curar qualquer tristeza, então porque no final da vida dele não ter uma homenagem bonita e que nos permita ter os seus restos mortais, ao invés de descartá-lo? A cremação parece chocar, mas não é, a vida está nas lembranças. Agora ele será lembrado para sempre!”, continua.

E, assim como Erika, muitos são os que optam por cremar os seus animais. No espaço, os donos podem optar pela coletiva, em que mais de um cão por vez é cremado, ou então individual.

“No caso do coletivo, uma vez por mês escolhemos uma praça ou local de reflorestamento para jogar as cinzas e para que o dono saiba onde ele está. É uma forma de devolver para a natureza, imagine colocar todos no aterro?”, explica Wilson Roberto Baroni, operador da máquina de cremação.

As cinzas do animal cremado de forma individual são depositadas em uma caixinha de madeira. Aí, o dono pode escolher o que fazer: se quer guardar ou jogar em algum lugar específico, como é o caso da Erika e do cãozinho Toty.

O atendimento começa a partir do momento que o animal se vai: com atendimento 24h, o dono pode ligar no crematório que um veterinário está sempre de prontidão para buscá-lo, basta esperar o tempo de deslocamento. Então o animal é colocado em um saco específico e vai para a câmara fria, onde permanece até a cremação, que ocorre às quartas-feiras.

Ao entrar na salinha, os donos se separam com uma imagem de São Francisco, o padroeiro dos animais, com velas acesas. Ali, pode pedir pelo seu cãozinho, para que vá em paz. Antes da cremação Wilson também conduz outra oração, ao lado do corpo do animal.

“Mesmo que o dono não consiga vir acompanhar, já cheguei a fazer oraçao por celular também. E mesmo sem ser por celular e sem o dono aqui, eu faço oração antes de todas as cremações, mesmo as coletivas”, continua Wilson.

Dada a hora da cremação, tudo é pensado para o mínimo impacto ambiental possível: a energia utilizada é limpa e todos os gases poluentes que saem do corpo do animal passam por um processo de requeima, para que não sejam soltos no meio ambiente pela chaminé.

A ideia da cremação ainda auxilia na preservação do meio ambiente. “É ecológico, já que muitas vezes quando um animal morre ele é levado para o aterro e pode acabar contaminando os lençóis freáticos e prejudicando os cursos d’água. Além de que, cremação também o futuro para humanos”, afirma Celso Buzzo, dono do crematório.

Ele conta que a ideia de abrir o Pet Crematório surgiu há aproximadamente cinco anos, quando um conhecido perdeu seu animal e não sabia o que fazer. “Ele colocou em um saco plástico, mas ficou chateado por isso, não achou digno. Aí eu fui tirando a ideia, pesquisei na internet, vi que tinha em Campinas e também em São Paulo e decidi trazer para Jundiaí”, continua.

Depois da cremação, todos os cãezinhos ganham uma homenagem na sede do Pet Crematório e também no site, onde os donos podem escrever um texto de homenagem e uma foto. Vira, dessa forma, uma espécie de memorial.

Seja cremação coletiva ou individual, as pessoas não poupam esforços para homenagear os bichinhos após sua morte, já que, em vida, fizeram a vida de todos muito feliz. Uma linda homenagem, não?

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